Freguesia da Charneca
Situada num dos extremos do concelho, para poente do Aeroporto Internacional de Lisboa, a freguesia da Charneca está integrada numa zona, fora da cidade clássica, onde ainda se avistam farrapos do tecido rural que até meados do nosso século envolveu a cidade.
Antigo povoado dos arredores de Lisboa, como outros que naquela época ainda conservavam um carácter rural (Ameixoeira, Benfica, Carnide, Lumiar, Olivais), a freguesia da Charneca integrou durante muito tempo o termo de Lisboa. Com a criação do concelho de Olivais em 11 de Setembro de 1852 passou a fazer parte do mesmo, onde se manteve até 1886, ano em que foi definitivamente integrada na cidade.
O que hoje se conhece como termo da freguesia de Charneca era constituído por montes e vales, quintas e quintarolas, solares e palacetes onde o lisboeta endinheirado passava férias apetitosas, cumpria o ritual dos amores furtivos, ou, sendo menos abastado, almoçava de convívio com os hortelões saloios. Entre as diversas quintas que por aqui existiam, sobressaía a que pertenceu ao visconde de Pereira pela sua grandeza e belezas naturais, com um belo palácio e um lindo jardim. Em meados do nosso século era muito conhecida a casa nobre, que foi solar dos Mesquitas, e cabeça de um vínculo que pertenceu ao senhor da Torre de Calheiros. Este morgado foi instituído por Fernão Gonçalves Cogominho, meirinho-mor de D. Afonso IV.
O território da freguesia da Charneca apresenta um povoamento muito antigo, provavelmente anterior

