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O portal dos seus moradores

Associações de Moradores: em defesa do Bairro!

Pela sua actualidade e pertinência reproduzo parte dos artigos publicados no Jornal Público, este Domingo 22/01/2006, referentes a associações de moradores.

"Existem por diversas razões, mas juntam-se quase sempre pelo mesmo motivo: um problema no bairro que leva a "tocar a rebate" e a reunirem esforços para encetar batalhas
. com a autarquia, com umc1ube desportivo ou com instituições ou empresas. São associações de moradores ou mesmo cibernautas sempre atentos ao que se passa na cidade ou no seu bairro e que depois do resca1do das lutas continuam a existir e a persistir pela melhoria de Lisboa.
O Jornal da Praceta, publicação online, é um dos grandes exemplos de como na cidade, através de um computador, se podem denunciar injustiças, encetar lutas, mobilizar cidadãos ou simplesmente informar. Carlos Fontes, director da publicação, é professor de f1losofia. Foi dirigente no Instituto do Emprego e Formação Profissional, do Ministério da Cultura, no âmbito das Artes e do Património, e está neste momento a desenvolver um projecto pioneiro de apoio a imigrantes, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, para a produção de material didáctico destinada ao ensino da cultura e língua portuguesa. .
Em 1995, como representante do Ministério da Cultura, participou na elaboração de um documento estratégico para a sociedade de informação em Portugal. Nessa altura, recorda, já se criticava a ausência da participação dos cidadãos na utilização das novas tecnologias e na chamada "cibercidadania" .
"Em 2001 colocou-se no Campo Grande a questão da construção de um parque de estacionamento num jardim público. A revolta levou-me a criar o Jornal da. Praceta como elo de ligação e fórum de debate entre os cidadãos", conta Carlos Fontes. "Acontece que os moradores das freguesias de Campo Grande, São João de Brito e Alvalade começaram a solicitar-me, via Internet, que desse voz a outras notícias desta zona da cidade e eu continuei", acrescenta.
O êxito inesperado daquele - primeiro gesto de raiva levou ao prosseguimento com a publicação, deixando de lado os casos pontuais e passando a ser a voz dos protestos, notícias, informações e histórias daqueles bairros de Lisboa e mesmo de toda a cidade. Todos os dias recebe 20 mensagens de leitores, nas diversas caixas de e-mail que teve de criar para este propósito, e em tempo de uma luta mais acesa as mensagens são incontáveis.
Sendo considerado por muitos movimentos de cidadãos uma referência, a verdade é que Carlos Fontes garante que recebe mesmo mensagens de responsáveis políticos e autárquicas que lhe pedem para ver algumas informações publicadas na sua publicação. Mas isto também causa engulhos a quem não aprecia o exercício da cidadania. Carlos Fontes foi processado por um responsável autárquico na sequência de um texto publicado em 2002, no seguimento de notícias divulgadas na imprensa.
O caso não lhe causa estranheza, até porque afirma já ter percebido que "quando a participação do cidadão é muito activa, há que identificá-lo, processá-lo e tentar intimidá-lo, para finalmente, o conseguir calar". Daí a necessidade que sente de resguardar a privacidade, dando a cara pelas causas que defende ou divulga, mas sempre na blogosfera.

"Todos nunca são demais"
O Jornal da Praceta e restantes blogues que criou - a única rede de sites temáticos do país (http://filorbis.no.sapo.pt)-, tiveram em 2005 mais de um milhão e 600 mil visitantes (sites únicos). Por todos estes motivos, Cartas Fontes considera que "todas as associações, fóruns ou sites onde os cidadãos possam trocar ideias, apresentar sugestões, reivindicações ou exprimir as suas convicções, nunca são demais e são fundamentais para se exercer a cidadania, por menos que o poder goste disso".

Bento Velhinho, do gabinete da presidência da Câmara Municipal de Lisboa, garante que a relação com as associações de moradores têm vindo a ser incentivada pela autarquia desde os últimos quatro anos. De acordo com este responsável, foi criado em 2001 um gabinete de apoio