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Rejeitada recomendação para a requalificação do Bairro da Cruz Vermelha em Lisboa

Data da Notícia: 20-06-2006
Fonte: Site da RTP

PSD e CDS-PP, que têm maioria na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), rejeitaram hoje uma recomendação do PCP que defendia a reabilitação do bairro da Cruz Vermelha, no Lumiar.

Os deputados comunistas alegavam que os edifícios da Rua Pedro Queirós Pereira, naquele bairro, estão em estado de degradação acentuada, pelo que pediam à autarquia um levantamento dos imóveis degradados e a requalificação das ruas e locais abandonados daquela zona.

"Há 34 anos que não têm obras nem qualquer tipo de intervenção com vista à sua conservação. Há esgotos entupidos, tectos e paredes em péssimo estado", descrevia a recomendação, que teve os votos favoráveis do PS, PCP, Bloco de Esquerda e "Verdes".

O presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Nuno Roque (PSD), negou que não tenham sido feitas quaisquer obras, alegando que "nos últimos quatro anos" - em que já estava à frente daquela autarquia - "muita coisa foi feita naquela zona", como recuperação de habitações municipais.

O responsável adiantou que a vereadora da Câmara de Lisboa com o pelouro dos bairros municipais, Maria José Nogueira Pinto (CDS-PP), anunciou a intenção de criar uma unidade de revitalização específica para o Alto do Lumiar.

Na recomendação, os comunistas pediam também a reabertura da biblioteca Maria Keil, fechada em Agosto do ano passado, mas o presidente da Junta de Freguesia do Lumiar revelou que aquele equipamento irá reabrir em 01 de Julho, segundo uma informação do vereador da Cultura, José Amaral Lopes.

O líder da bancada comunista, Modesto Navarro, lamentou a rejeição da proposta.

"Estamos perante uma zona profundamente degradada e é rejeitada a recuperação pela Câmara de Lisboa precisamente pelo PSD. É uma hipocrisia condenável", sustentou o deputado do PCP.

Durante a sessão da Assembleia Municipal, os deputados aprovaram por unanimidade, sem discussão, a criação de uma nova comissão eventual para o acompanhamento do processo do Parque Mayer, uma iniciativa que tinha sido decidida pelos líderes de todas as bancadas.

No anterior executivo existiu uma comissão eventual de acompanhamento deste processo, na altura presidida pelo deputado Feliciano David (PCP), que foi extinta com o final do mandato.

Os líderes das bancadas municipais decidiram por unanimidade constituir uma nova comissão eventual.

A criação da nova estrutura surge dias depois de a Câmara de Lisboa ter admitido desistir do projecto concebido pelo arquitecto Frank Gehry e aprovado no anterior executivo camarário, presidido por Pedro Santana Lopes (PSD).

Em declarações recentes à Lusa, o vice-presidente da autarquia lisboeta (PSD/CDS-PP), Carlos Fontão de Carvalho, afirmou que o objectivo é desenvolver um projecto "menos ambicioso" que o anterior, "mas mantendo os princípios básicos, como o pólo cultural", para que as obras de reabilitação do Parque Mayer possam ser concretizadas mais rapidamente.