Carmona "petiscou, prometeu e não cumpriu"
Data: 2007/02/25
Fonte: Diário de Notícias
"Os moradores da Rua Pedro Queirós Pereira, na Alta de Lisboa, estão zangados com o presidente da câmara e saíram ontem das suas casas em burburinho. É que a revitalização desta zona de casas camarárias que Carmona Rodrigues elencou nas 309 medidas do seu programa eleitoral está por fazer. Os 21 lotes, onde vive cerca de um milhar de pessoas, expõem a degradação de quatro décadas sem qualquer obra de manutenção.
"A recuperação dos prédios foi uma das promessas da campanha. [Carmona Rodrigues] veio cá, ofereceu bolas de futebol, petiscou na nossa associação, prometeu e não cumpriu", recorda José Machado, um dos organizadores do protesto. "Já é uma luta muito antiga", diz José Bandeira, da comissão de moradores da Rua Pedro Queirós Pereira. Residente no lote 3, diz que "a câmara não gastou aqui dez tostões" em conservação e aponta os perigos da degradação: da fachada do seu prédio já caíram "duas ou três vezes" pedras que danificaram carros estacionados.
Mas todos os manifestantes têm reclamações. Muitos queixam-se das infiltrações e do mau estado dos prédios, que "nunca viram tinta", outros do esgoto a céu aberto que se forma no exterior de alguns lotes quando as fossas atingem o limite.
Foi nos 225 apartamentos da Pedro Queirós Pereira que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) fez, há 36 anos, o realojamento do Bairro da Musgueira. Hoje, de acordo com os moradores (uma população maioritariamente idosa), 92 fogos são da Gebalis, 129 foram "alienados". Contactado pelo DN, o gabinete do vereador responsável pela Acção Social da autarquia, Sérgio Lipari Pinto, apenas disse que a grande maioria dos fogos já não é nem da CML nem da Gebalis, remetendo outras informações para a próxima segunda-feira.
Talude amplia protestos
O descontentamento dos munícipes agravou-se nos últimos três anos, quando o acesso à Rua Helena Vaz da Silva foi cortado, deixando inacessíveis ao trânsito automóvel os lotes 20 e 21. Idalina Santos mora no prédio pendurado sobre o morro que então se criou, com vista para os prédios novos que dão fama à Alta de Lisboa que as imobiliárias promovem. "Já viu o que é a velhice toda aqui? É o fim do mundo", diz a septuagenária.
Nos últimos meses foi feito um talude em tons ocre que alindou o bairro social, visto dos prédios novos. Quem sobe as escadas encontra a degradação. "Até podemos ter vaidade dentro de casa mas na rua é uma porcaria", desabafa Odete Costa, uma das arrendatárias da CML.

